Há filmes que interessam pela história que contam. Outros terminam e continuam conosco por algum tempo, não necessariamente pelas respostas que oferecem, mas pelas perguntas que deixam.
Aniversário: A Mudança, dirigido por Jan Komasa, me causou essa segunda impressão.
Não é um filme leve. A narrativa vai se tornando progressivamente mais densa e incômoda, não apenas pelo que acontece, mas porque acompanhamos pessoas e vínculos familiares se transformando diante de nós. E talvez parte do desconforto venha justamente daí: não existe uma ruptura única a partir da qual tudo muda. As mudanças vão acontecendo aos poucos.
O filme acompanha a família Taylor ao longo de cinco anos. Quando a conhecemos, Ellen e Paul estão comemorando 25 anos de casamento. Ellen é professora universitária; Paul, dono de um restaurante. Eles têm quatro filhos: Anna, comediante; Cynthia, advogada ambientalista e casada com Rob; Josh, um escritor que ainda tenta encontrar seu espaço; e Birdie, a caçula da família, interessada em ciência. É nesse aniversário que Josh apresenta Liz, sua namorada — e antiga aluna de Ellen.
Ellen logo a reconhece. Anos antes, Liz havia apresentado na universidade um trabalho cujas ideias Ellen considerara perigosas e antidemocráticas. Agora aquelas ideias haviam se transformado em um livro chamado The Change — A Mudança.
O que acontece a partir daí é, ao mesmo tempo, a história da ascensão de um movimento político e a história da transformação de uma família. O livro encontra leitores, ganha seguidores, torna-se movimento, conquista poder e começa a reorganizar o país. Enquanto isso, dentro daquela casa, vínculos, casamentos, escolhas e até a maneira como aquelas pessoas enxergam umas às outras também começam a mudar.
É justamente por isso que o filme se torna tão interessante para pensar o comportamento humano.
Esta não é uma análise sobre qual posição política ou ideológica estaria “certa” ou “errada”. O que me interessa no filme é outra coisa: observar alguns mecanismos do comportamento humano — como ideias conquistam pessoas, como grupos oferecem pertencimento e identidade, como convicções podem reorganizar vínculos e o que acontece quando uma ideia deixa de buscar adesão e passa a exigir conformidade.
AVISO: a partir deste ponto, o texto contém spoilers importantes, inclusive sobre o final do filme. Se você ainda não assistiu a Aniversário: A Mudança, minha sugestão é interromper a leitura aqui, assistir ao filme e depois voltar. Parte da análise depende justamente de conhecermos o caminho percorrido por cada personagem.
Como uma ideia consegue conquistar tantas pessoas?
Há uma pergunta que o filme não responde completamente, mas que talvez seja uma das mais interessantes que deixa para o espectador: como Liz conseguiu?
Quando Ellen leu aquelas ideias pela primeira vez, elas estavam num trabalho universitário. Alguns anos depois, Liz as publica em um livro. O livro encontra milhões de leitores, transforma-se em movimento e aquilo que inicialmente parecia uma proposta radical passa a organizar politicamente um país. Como se percorre essa distância?
O filme não está especialmente preocupado em mostrar toda a engenharia política e institucional desse processo. Prefere saltar no tempo. “Um ano depois.” “Dois anos depois.” E, quando reencontramos aquelas pessoas, descobrimos que The Change avançou mais um pouco.
Por isso, a pergunta mais interessante talvez não seja apenas como o movimento chegou ao poder, mas por que tantas pessoas quiseram fazer parte dele.
O próprio filme parece antecipar esse processo numa conversa aparentemente banal entre Liz e Birdie. No quarto da adolescente, cercada por seus experimentos, Liz conta que também havia pensado em seguir a ciência antes de mudar de área. Quando Birdie pergunta por quê, ela responde que queria fazer diferença no mundo. Birdie imediatamente rebate: a ciência faz diferença.
Logo depois, mostra a Liz aquilo que está cultivando a partir de amostras coletadas no rio Potomac. Explica que aquele organismo cresce até encontrar um novo hospedeiro ao qual possa se prender e, a partir daí, se espalha pelo ecossistema.
É difícil assistir ao restante do filme sem lembrar dessa conversa.
The Change também começa pequeno. Primeiro existe como uma ideia. Depois encontra pessoas às quais consegue se ligar. Cresce, encontra outras, espalha-se e progressivamente modifica o ambiente ao redor. A imagem é particularmente interessante porque o filme não precisa nos dizer que está construindo uma metáfora. Birdie está falando sobre aquilo que observa em seu experimento. Nós é que, mais tarde, percebemos o quanto aquela descrição se parece com o que aconteceu fora de seu quarto.
E existe ainda uma ironia naquela breve conversa. Birdie acredita que a ciência pode mudar o mundo. Liz também quer mudá-lo, mas escolheu outro instrumento: as ideias.
Ao final do filme, de maneiras completamente diferentes, as duas terão participado dessa mudança.
Ideias não saem das páginas de um livro e assumem o poder sozinhas. Precisam encontrar pessoas. E pessoas raramente aderem profundamente a uma ideia apenas porque analisaram racionalmente todos os seus argumentos e concluíram que eram superiores aos demais. Ideias também podem oferecer explicações, esperança, reconhecimento, identidade, inimigos, propósito e pertencimento.
Mas existe ainda outra passagem importante. Uma ideia ganha uma força diferente quando deixa de depender apenas daqueles que a formularam e passa a ser reproduzida pelas próprias pessoas que aderiram a ela. O grupo cresce, seus valores começam a circular, determinadas posições passam a ser esperadas e outras passam a provocar reprovação. Aos poucos, já não é preciso que alguém no topo diga o tempo inteiro o que deve ser pensado ou condenado. As próprias pessoas começam a reforçar entre si as normas do grupo.
Isso ajuda a compreender como uma ideia pode adquirir uma força social muito maior do que a capacidade de quem inicialmente a propôs. O poder já não circula apenas de cima para baixo. Ele também passa a circular horizontalmente, nas relações cotidianas, na aprovação de uns, na reprovação de outros, no desejo de pertencer e no receio de ser excluído.
Em algum momento, portanto, uma ideia pode deixar de ser apenas uma ideia e começar a funcionar também como sinal de pertencimento. Já não se trata somente de concordar com determinada maneira de compreender o mundo. Passamos a fazer parte de um grupo que compartilha essa compreensão.
E grupos oferecem muito mais do que opiniões. Oferecem referências. Dizem, ainda que não explicitamente, quais pessoas merecem confiança, quais fontes parecem confiáveis, quais acontecimentos devem nos indignar e até quais palavras utilizamos para explicá-los. Aos poucos, podemos passar a conviver predominantemente com pessoas que confirmam aquilo em que já acreditamos.
É assim que começam a surgir tribos. O termo pode parecer exagerado, mas descreve algo bastante humano. Dentro de cada grupo existem símbolos, narrativas, referências e uma sensação de “nós”. E, quando esse “nós” se fortalece demais, pode surgir também um “eles”.
Isso não significa que ter convicções fortes seja um problema. Muito menos que todas as ideias sejam equivalentes. Algumas resistem melhor aos fatos, algumas produzem consequências diferentes de outras e algumas podem ser francamente autoritárias. A questão psicológica é outra.
Quanto mais aquilo em que acredito passa a participar da definição de quem sou, mais difícil pode se tornar separar duas perguntas aparentemente semelhantes:
“Essa ideia está correta?”
e
“De que lado eu estou?”
A primeira permite que eu examine uma ideia. A segunda envolve algo muito mais pessoal: minha própria identidade. E é justamente nesse espaço entre uma pergunta e outra que Aniversário: A Mudança se torna tão interessante.
Josh: o que ele encontrou?
Josh é provavelmente o personagem em quem esse processo aparece de maneira mais evidente. Quando o conhecemos, encontramos um homem que ainda parece procurar seu lugar. Queria ser escritor, mas seu livro não conseguiu publicação. Dentro de uma família de pessoas profissionalmente realizadas, ocupa uma posição um pouco diferente dos demais. Seria simplista chamá-lo de fracassado, porque o filme não o apresenta dessa maneira, mas parece existir nele uma necessidade de reconhecimento que ainda não encontrou resposta.
Depois conhecemos outro Josh. Sua postura muda, sua aparência muda, a maneira como ocupa o espaço muda. Agora existem segurança, influência, dinheiro, acesso e poder.
É tentador explicar tudo dizendo que Liz o manipulou. Pode haver manipulação naquela relação, mas essa explicação, sozinha, me parece insuficiente. Sempre que alguém se liga profundamente a uma pessoa, a uma causa ou a um grupo, talvez seja mais interessante perguntar não apenas quem o convenceu, mas o que ele encontrou ali.
E Josh encontrou muita coisa: reconhecimento, importância e propósito. Encontrou uma narrativa capaz de organizar o mundo e um grupo no qual deixou de ser alguém procurando seu lugar para se tornar alguém que participa de algo que considera historicamente importante.
Em vez de apenas perguntar “como fizeram Josh acreditar nisso?”, portanto, talvez devêssemos fazer outra pergunta:
O que Josh encontrou naquele grupo que estava faltando nele?
Essa questão ultrapassa o personagem porque pertencimento é uma necessidade profundamente humana. Construímos parte da nossa identidade através da família, da profissão, dos amigos, da religião, da nacionalidade e dos diferentes grupos dos quais participamos. Não existe nada de patológico nisso.
O problema pode começar quando pertencer deixa de ser uma parte de quem somos e passa a organizar quase tudo aquilo que somos.
Nossa identidade normalmente é composta por muitas camadas. Somos filhos, pais, companheiros, profissionais, amigos. Temos história, lembranças, afetos, valores, convicções, dúvidas e contradições. Mas imagine que uma dessas camadas cresça a ponto de organizar todas as outras.
Se você critica aquilo em que acredito, talvez eu já não escute apenas uma crítica à minha ideia. Posso sentir que está criticando a mim. Se você ataca meu grupo, ataca a mim. Se você se opõe ao meu grupo, pode começar a ser percebido como meu adversário.
Em algum momento, já não estamos apenas discutindo ideias. Estamos defendendo quem acreditamos ser.
A psicologia social estuda esses processos de identificação com grupos. Um dos conceitos utilizados é o de fusão identitária, que descreve situações nas quais a identidade pessoal e a identidade grupal ficam intensamente conectadas. Isso não significa que a pessoa tenha deixado de existir como indivíduo, mas que aquilo que acontece com o grupo passa a ser vivido de maneira profundamente pessoal.
Talvez nem precisemos do conceito para compreender Josh. Basta observar o que acontece com ele: quanto mais importante The Change se torna para sua identidade, mais difícil parece separar Josh daquilo que o movimento representa. E, aos poucos, a própria família passa a ocupar outro lugar.
Quando a política entra na família
Esse talvez seja um dos aspectos do filme que mais me impressionaram. No começo, aquelas pessoas conseguem simplesmente ser uma família. Conversam, bebem, brincam, provocam umas às outras e discutem. Existem diferenças, mas existe algo maior que elas: o vínculo.
Progressivamente, isso muda. A política entra na sala, chega à mesa, atravessa os casamentos e finalmente alcança a relação entre pais e filhos. Em determinado momento, parece impossível conversar sem que ela esteja presente, mesmo quando ninguém está falando diretamente sobre política.
E então acontece algo particularmente destrutivo para qualquer relação humana: o outro deixa de ser apenas uma pessoa e começa a representar alguma coisa.
Já não estou olhando apenas para meu filho; estou olhando também para alguém “daquele lado”. Já não estou falando apenas com minha mãe; estou falando com alguém que representa aquilo a que me oponho. A história compartilhada continua existindo, mas vai ficando escondida atrás das categorias.
É talvez aí que uma ideologia consiga produzir uma de suas consequências mais profundas. Enquanto permanece apenas no campo das ideias, ainda podemos discordar e continuar reconhecendo no outro alguém que amamos, respeitamos ou com quem compartilhamos uma história. Mas, quando aquela visão de mundo passa a organizar também nossa identidade e nosso julgamento moral, a discordância adquire outro peso. A pessoa diante de nós já não é apenas meu pai, minha filha, meu irmão ou meu companheiro. Ela passa também a representar aquilo que considero errado, perigoso ou mesmo moralmente inaceitável.
A ruptura, portanto, não acontece necessariamente porque os vínculos desapareceram. Muitas vezes eles continuam ali. O que muda é que outra forma de pertencimento começa a competir com eles. E, em determinadas circunstâncias, pertencer ao grupo, defender sua visão de mundo e permanecer coerente com aquilo que ele representa pode se tornar mais importante do que preservar relações construídas durante uma vida inteira.
Isso ajuda a compreender por que conflitos em torno de ideias podem produzir rupturas tão profundas dentro de uma família. Não estamos mais diante de pessoas que simplesmente discordam sobre determinado assunto. Cada uma pode começar a enxergar a posição da outra como reveladora de quem ela é, dos valores que possui e do grupo ao qual pertence. A divergência deixa de ocupar apenas uma parte da relação e começa a reorganizar a própria relação.
Talvez seja por isso que o filme transmita uma sensação tão evidente de apagamento da felicidade. Não existe uma cena específica em que aquela família deixa de ser feliz. A felicidade simplesmente vai perdendo espaço para discussões, ressentimento, desconfiança e medo.
E isso não precisa acontecer apenas em torno da política. Religião, movimentos sociais, comunidades virtuais e outros grupos também podem ocupar uma posição grande demais na construção da identidade. O mecanismo que interessa aqui é humano: quando a identidade coletiva cresce demais, corremos o risco de começar a enxergar pessoas concretas através do rótulo que colocamos nelas.
Mas seria injusto dizer que apenas Josh muda. Na realidade, todos mudam, e cada um responde de maneira diferente ao mesmo processo.
Liz ocupa uma posição particular porque não encontra uma ideologia pronta e simplesmente adere a ela. Ela ajuda a construí-la. Aquilo que começou como uma ideia defendida num trabalho universitário torna-se livro, depois movimento e finalmente uma força capaz de modificar instituições e relações sociais.
Também seria simplista explicar Liz chamando-a de “louca”. Ela não é apresentada como psicótica, maníaca ou desorganizada. Ao contrário: é articulada, controlada e estrategicamente competente.
Esse ponto me interessa particularmente como psiquiatra porque utilizamos com enorme facilidade a linguagem da psiquiatria para explicar pessoas das quais discordamos ou cujos comportamentos consideramos moralmente condenáveis. “Narcisista”, “psicopata”, “delirante”, “doente”. Diagnósticos acabam transformados em adjetivos.
Mas radicalização não é diagnóstico psiquiátrico. Uma pessoa pode defender ideias extremas sem apresentar um transtorno mental que explique suas convicções.
Talvez seja até reconfortante imaginar o contrário. Se comportamentos extremos fossem exclusividade de pessoas mentalmente doentes, poderíamos estabelecer uma distância confortável entre “eles” e “nós”: eles fazem aquilo porque são diferentes; nós jamais faríamos.
O problema é que seres humanos psicologicamente comuns também podem aderir a ideias extremas, aceitar coisas que anteriormente rejeitariam, justificar comportamentos que antes condenariam ou permanecer em silêncio diante daquilo que antes os incomodaria.
Isso talvez seja bem mais desconfortável.
Ellen: e quando a ameaça é real?
Ellen percorre um caminho quase oposto ao de Liz. Desde o início, considera aquelas ideias perigosas e antidemocráticas. Conforme a história avança, seu temor deixa de ser apenas uma avaliação acadêmica. O movimento passa a produzir consequências concretas para quem o questiona.
Mas perceber corretamente uma ameaça não torna Ellen imune às consequências psicológicas de viver sob ela. A mulher segura, articulada e profissionalmente estabelecida que conhecemos no início também vai mudando. Surgem medo, raiva, desconfiança, hipervigilância e impulsividade. Sua resistência começa a ocupar cada vez mais espaço em sua própria vida.
E aqui existe uma questão particularmente interessante para a psiquiatria. Quando alguém está permanentemente alerta, desconfiando das pessoas ao redor e esperando que algo ruim aconteça, podemos pensar em sintomas presentes em diferentes transtornos. Mas e quando algo ruim realmente pode acontecer? E quando a pessoa está, de fato, sendo ameaçada?
Quando o ambiente é ameaçador, até que ponto ansiedade, desconfiança e hipervigilância são sintomas e até que ponto são respostas compreensíveis à realidade?
Psiquiatria não pode ser praticada retirando comportamentos de seu contexto. Uma pessoa convencida de que está sendo perseguida quando não existe qualquer evidência disso está numa situação muito diferente daquela que efetivamente está sendo perseguida. O comportamento pode parecer semelhante. O significado não é.
Ellen muda porque o mundo ao redor dela também mudou.
Paul reage de outra maneira. Durante muito tempo, tenta preservar algo da família que existia antes. Quer todos sentados à mesma mesa, procura evitar que cada encontro se transforme numa batalha e parece acreditar que ainda seja possível separar as divergências da relação familiar.
Mas existe uma cena que torna sua posição mais complexa. Durante uma discussão, Paul deixa claro que não pretende ler o livro de Liz porque, se o fizer, terá de discuti-lo com Ellen. Quando é pressionado a dizer de que lado está, insiste que não existem lados.
Há uma diferença importante entre conhecer duas posições e decidir não aderir a nenhuma delas e preferir não conhecer aquilo que está acontecendo para não precisar se posicionar. Paul parece caminhar progressivamente para a segunda situação. Seu silêncio não nasce necessariamente de concordância com Liz. Ao contrário, parece nascer do desejo de preservar a família. Se ele não entrar naquela discussão, talvez ainda seja possível manter todos à mesma mesa.
É uma reação profundamente compreensível. Em situações de conflito crescente, nem todos aderem e nem todos confrontam. Algumas pessoas tentam simplesmente continuar vivendo. Trabalham, jantam, comemoram aniversários e evitam determinados assuntos. Às vezes isso realmente preserva relações. Em outras, porém, apenas posterga o reconhecimento de que elas já mudaram.
E o filme acrescenta uma pergunta incômoda a essa postura: existe um momento em que não escolher também passa a produzir consequências?
Paul acredita durante boa parte da história que pode permanecer fora daquele conflito. Mas o conflito continua avançando independentemente de sua participação. Chega ao restaurante, aos filhos, à mulher e finalmente à própria casa. Aquilo que ele evitava discutir não deixou de existir porque ele decidiu não discutir.
Talvez essa seja uma das ironias mais duras de sua trajetória: Paul tenta preservar a família evitando o conflito que ameaça dividi-la, mas aquilo que procura não enfrentar continua crescendo até tornar impossível a própria neutralidade.
Os filhos também percorrem caminhos próprios. Cynthia, inicialmente uma advogada ambientalista com casamento e vida estabelecidos, vai progressivamente se desorganizando. Seu relacionamento com Rob se rompe, e aquilo que acontece no país deixa de ser algo externo à sua vida: invade o casamento, os projetos, as escolhas pessoais e sua própria estabilidade. Mais tarde, fragilizada e fazendo uso problemático de medicação para dormir, volta a viver com os pais.
Rob segue outra direção e acaba aderindo ao próprio The Change. Anna confronta o movimento, sofre as consequências dessa oposição e precisa desaparecer. Birdie, a caçula que conhecemos ainda muito jovem e interessada em ciência, caminha para uma resistência cada vez mais radical.
A mesma transformação social atravessa todas essas pessoas, mas não produz a mesma resposta.
Quatro anos depois: o poder entra pela porta
O filme faz questão de mostrar a passagem do tempo. Os saltos não servem apenas para avançar a história; eles nos permitem medir a velocidade da transformação. O próprio Jan Komasa já explicou que a ideia era reencontrarmos aquelas pessoas depois de longos intervalos sem que tudo o que aconteceu entre um encontro e outro fosse explicado. O espectador precisa perceber o que mudou e reconstruir parte do caminho.
Essa passagem também acontece visualmente. A casa vai ficando mais vazia, com menos móveis, livros e fotografias, enquanto a própria câmera se torna progressivamente mais rígida. A transformação do país e a deterioração daquela família não estão apenas no que os personagens dizem. Aos poucos, aparecem no próprio espaço em que vivem.
Em determinado momento, Paul menciona que ele e Ellen estão casados há 29 anos. Vale fazer a conta: quando os conhecemos, comemoravam 25. Passaram-se apenas quatro anos, e quanta coisa coube nesses quatro anos.
Anna já precisou desaparecer. Paul perdeu seu restaurante depois de sofrer boicote. Ellen perdeu seu trabalho. Cynthia voltou para a casa dos pais profundamente fragilizada. Rob aderiu ao movimento. Birdie está envolvida em manifestações. E então duas representantes do sistema chegam à casa de Ellen e Paul.
Antes da conversa, Paul diz a Ellen que precisam responder de maneira que tudo dê certo. A frase parece banal, mas revela o quanto aquela realidade já mudou. Paul sabe que não está diante de uma conversa entre pessoas em condições iguais e que determinadas respostas podem produzir consequências.
Essa cena também completa algo que vinha sendo construído em sua trajetória. Antes, Paul tentava não entrar no conflito. Agora já não pode simplesmente permanecer fora dele. Resta tentar administrá-lo, medir as palavras e responder da maneira que lhe pareça menos perigosa.
Uma das demonstrações mais eficientes de poder talvez aconteça justamente quando já não é necessário dizer explicitamente: “você não pode falar isso”. A própria pessoa aprendeu aquilo que pode ou não pode dizer.
Mas a cena avança. Não basta que Ellen e Paul deixem de criar problemas; eles precisam assinar sua adesão à Mudança. Paul estabelece um limite e diz que não fará isso. Então aparecem fotografias de Birdie participando de uma manifestação.
A ameaça não precisa ser pronunciada de maneira explícita. Está suficientemente clara: a recusa dos pais poderá trazer consequências para a filha.
Ellen assina.
Essa cena estabelece uma diferença fundamental entre duas coisas que às vezes tratamos como se fossem iguais: persuasão e coerção.
No começo da história, Liz escreveu ideias, publicou um livro e pessoas leram, concordaram, aderiram e transformaram aquelas ideias em movimento. Podemos discutir por que fizeram isso, o que encontraram naquele grupo e quais necessidades psicológicas foram atendidas pelo pertencimento.
Mas Ellen não assina porque foi convencida. Assina porque sua filha está sendo usada como instrumento de pressão. E isso muda completamente a natureza daquela adesão.
O mais interessante é que Birdie depois se revolta com a mãe. Para ela, a assinatura representa capitulação diante do sistema contra o qual decidiu lutar. Para Ellen, porém, existe outra dimensão: naquele momento, recusar-se poderia significar colocar a própria filha em risco.
O filme coloca, portanto, duas formas de resistência em conflito: a de quem se recusa a ceder e a da mãe que tenta proteger alguém que ama, mesmo que para isso precise assinar algo em que não acredita. Não é necessário decidir qual delas é mais legítima para perceber a crueldade da situação. O sistema conseguiu transformar o próprio vínculo entre mãe e filha em instrumento de pressão.
É nesse momento que percebemos melhor a distância percorrida desde aquela primeira comemoração. A ideia que estava num trabalho universitário tornou-se livro. O livro tornou-se movimento. O movimento conquistou pessoas, conquistou poder e finalmente entrou na casa de Ellen e Paul.
Não precisava mais convencê-los. Agora podia exigir.
Quase ninguém muda de uma vez
Essa passagem de quatro anos também ajuda a compreender outra escolha narrativa muito eficiente do filme. Nós não acompanhamos todos os dias daquela família. Passa algum tempo e voltamos a encontrá-la. Alguma coisa mudou. Passa mais algum tempo e mudou novamente.
Para nós, espectadores, os saltos são perceptíveis. Para quem estivesse vivendo cada um dos dias entre um aniversário e outro, provavelmente seriam muito menos. E talvez seja assim que muitas mudanças profundas aconteçam.
Poucas pessoas acordam numa manhã decididas a abandonar tudo aquilo em que acreditavam. O processo costuma ser mais discreto: uma concessão aqui, uma justificativa ali, uma nova amizade, uma informação que confirma aquilo que eu já pensava, outra que rejeito antes mesmo de considerar porque veio “do outro lado”. Um comportamento que inicialmente me incomodava, mas que começo a compreender e, depois, talvez, a justificar.
O ponto de referência vai mudando. Aquilo que ontem parecia extremo hoje pode parecer familiar.
Os grupos também participam dessa transformação porque não oferecem apenas pertencimento. Oferecem referências sobre aquilo que deve ser admirado, condenado, acreditado ou rejeitado.
É fácil observar alguém de fora e perguntar: “Como essa pessoa consegue achar isso aceitável?”
Mais interessante talvez seja perguntar:
Em que momento isso começou a parecer aceitável para ela?
A segunda pergunta exige compreender um processo. E processos humanos são muito mais complexos do que rótulos.
Quando já não é permitido discordar
Existe, porém, um limite importante nessa discussão.
Podemos pertencer a grupos, defender ideias vigorosamente, considerar determinada visão de mundo melhor do que outra, discutir, tentar convencer e até romper relações por causa de convicções que consideramos fundamentais. Tudo isso pode existir dentro de uma sociedade em que outras pessoas continuam tendo o direito de pensar diferente.
O problema muda de natureza quando esse direito desaparece.
É exatamente esse limite que Aniversário: A Mudança ultrapassa. E talvez seja aqui que possamos voltar à primeira impressão de Ellen sobre o trabalho de Liz: ela estava certa ao considerar aquelas ideias perigosas e antidemocráticas?
Dentro da história construída pelo próprio filme, seu receio acaba encontrando confirmação. Não simplesmente porque Liz pensa diferente dela, nem porque milhões de pessoas aderiram ao movimento, mas porque, quando The Change alcança poder suficiente, aqueles que discordam começam a pagar um preço por discordar.
Anna precisa desaparecer. Pessoas que questionam o sistema passam a sofrer consequências. Ellen perde sua posição. O restaurante de Paul não sobrevive. Finalmente, representantes do sistema entram na casa do casal para exigir uma declaração de adesão.
Existe uma diferença fundamental entre uma ideia ser amplamente aceita e uma ideia tornar-se impossível de contestar. Uma sociedade pode ter conflitos intensos, grupos rivais e pessoas profundamente convencidas de suas posições. Mas, quando uma ideia precisa impedir que seja questionada para permanecer dominante, alguma coisa essencial já mudou.
E talvez exista aí um alerta ainda mais importante. O risco para a liberdade individual não começa apenas quando alguém é preso por discordar. Ele começa quando discordar deixa de ser uma possibilidade legítima. Quando determinada visão de mundo se espalha pela sociedade, conquista instituições e passa a definir aquilo que pode ou não pode ser questionado, já não estamos falando apenas da força de uma ideia. Estamos falando do poder de determinar os limites do pensamento e da expressão dos outros.
Há ainda outra questão incômoda. Ideias capazes de produzir esse tipo de controle não precisam se apresentar, desde o início, com todas as suas consequências expostas. Podem chegar como novidade, promessa de transformação, solução para problemas reais ou proposta aparentemente atraente. Isso não significa que toda ideia nova esconda necessariamente um projeto autoritário. Significa apenas que uma ideia não deve ser julgada somente pela maneira como se apresenta, mas também pelo que passa a admitir quando conquista poder.
E nem sequer precisa ser uma ideia nova. Projetos políticos, movimentos e ideologias já conhecidos também podem mudar gradualmente. Pequenas restrições podem ser apresentadas como excepcionais, determinados limites como necessários e algumas perdas de liberdade como o preço inevitável para proteger a própria sociedade. Cada medida, observada isoladamente, pode parecer justificável. O problema aparece quando a exceção se torna regra e aquilo que antes exigiria uma justificativa extraordinária passa a ser aceito como normal.
Talvez o aspecto mais inquietante seja que esse caminho não precisa ser percorrido apesar da população. Em determinadas circunstâncias, pode ser percorrido com o apoio de parte dela. Medo, sensação de ameaça e desejo de segurança podem aumentar a disposição para aceitar medidas que, em outro contexto, provocariam resistência. E é justamente por isso que a promessa de proteção merece ser examinada também por outro ângulo: o que estamos aceitando entregar em troca dela?
Talvez uma das perguntas mais importantes diante de qualquer movimento não seja apenas “o que ele promete fazer?”, mas também: “o que ele permitirá que façam aqueles que discordarem dele?”
E existe uma pergunta ainda mais difícil, porque nos inclui no problema: o que eu aceitaria se estivesse convencido de que aquilo era necessário para me proteger, proteger minha família ou proteger a sociedade? Talvez seja fácil reconhecer o autoritarismo quando já conhecemos o final da história. Muito mais difícil é perceber os pequenos deslocamentos enquanto eles ainda estão acontecendo.
É aí que o filme deixa de falar apenas sobre pertencimento e começa a falar também sobre liberdade. Não a liberdade de todos concordarem comigo, mas a liberdade de alguém poder olhar para aquilo em que acredito e dizer:
“Eu não concordo.”
Trinta anos: a mesma casa, outra família
E então chegamos ao 30º aniversário de Ellen e Paul, cinco anos depois da primeira comemoração. É aqui que o desenho circular do filme se completa.
Quando conhecemos aquela família, a casa estava cheia. Ellen e Paul comemoravam 25 anos de casamento cercados pelos filhos. Havia comida, bebidas, conversas e risos. Era uma família com diferenças e problemas, evidentemente, mas havia ali uma história compartilhada e a sensação de que aquela história continuaria.
No último aniversário voltamos à mesma casa, mas encontramos quase o negativo daquela primeira imagem. Birdie leva sua resistência ao limite e morre no ataque à Cumberland. Anna reaparece, mas continua sendo procurada e precisa fugir novamente. Cynthia, já profundamente desorganizada, esfaqueia Josh e sai para a rua com a faca ensanguentada; acaba morta pela polícia.
Ellen e Paul assistem à destruição daquilo que durante todo o filme tentaram preservar. Então a polícia entra na casa.
Há um detalhe nessa sequência que muda completamente o tom da cena: Ellen e Paul não são simplesmente presos. Colocam capuzes sobre suas cabeças.
O filme não precisa explicar o que aquela imagem significa. O efeito é imediato. O capuz retira rosto, orientação e controle. Visualmente, já não estamos vendo apenas dois cidadãos sendo conduzidos por policiais, mas duas pessoas entregues a um aparato sobre o qual parecem não possuir qualquer poder.
É difícil não voltar, nesse instante, ao primeiro encontro entre Ellen e Liz. Cinco anos antes, diante de ideias ainda registradas num trabalho acadêmico, Ellen as havia considerado perigosas e antidemocráticas. Agora está sendo retirada encapuzada da própria casa por agentes do sistema que nasceu daquelas ideias.
Mas o filme acrescenta a essa imagem política uma dimensão muito mais íntima. Enquanto os dois são levados com a cabeça coberta, Paul tenta acalmar Ellen recorrendo a uma lembrança do início da história deles. Fala sobre o primeiro encontro do casal diante de The Lovers, de René Magritte.
A referência dificilmente poderia ser mais adequada. Na pintura de Magritte, duas pessoas se beijam com os rostos cobertos por tecido. O filme coloca, assim, lado a lado duas imagens visualmente semelhantes e emocionalmente opostas. No começo da história de Ellen e Paul, aqueles rostos cobertos pertenciam a uma obra associada à lembrança do encontro e do amor. Décadas depois, são eles próprios que têm os rostos cobertos enquanto são retirados da própria casa.
E existe ali algo ainda mais delicado. Durante praticamente todo o filme, Paul tenta preservar alguma coisa: primeiro, a convivência; depois, a família; depois, a normalidade. Durante muito tempo, tenta fazer isso permanecendo fora do conflito. Mais tarde, tenta sobreviver a ele. Aos poucos, quase tudo lhe escapa. Naquele momento final, já não consegue proteger a casa, os filhos nem a própria liberdade.
Resta aos dois algo que o sistema ainda não conseguiu retirar deles: a história que viveram juntos.
É justamente a essa história que Paul recorre para alcançar Ellen. Por alguns segundos, antes de serem apenas duas pessoas encapuzadas sendo levadas por agentes do Estado, eles voltam a ser Ellen e Paul, o casal que um dia esteve diante de uma pintura de Magritte.
É uma das imagens mais delicadas do filme justamente porque acontece num de seus momentos mais brutais.
E existe uma última ironia na trajetória de Paul. Durante boa parte da história, ele tentou não escolher um lado. No final, já não cabe a ele decidir se participará ou não daquele conflito. O conflito chegou até ele e o transformou em parte daquilo que durante anos tentou manter do lado de fora da própria vida.
Nesse momento, Josh tenta intervir. Durante anos vimos aquele homem se aproximar cada vez mais do movimento e se afastar da família. The Change lhe ofereceu reconhecimento, posição, dinheiro, identidade e poder. Mas, diante dos pais sendo levados, por alguns segundos parece reaparecer simplesmente o filho.
Ele tenta usar sua influência para protegê-los, ou pelo menos para aliviar aquilo que está acontecendo, mas sua influência já não é suficiente. Liz determina que ele também seja levado.
A cena mostra de maneira bastante clara o preço daquele pertencimento. Josh passou boa parte da história acreditando que fazia parte daquele poder. No final, descobre que sua posição dentro dele existia enquanto sua lealdade permanecesse compatível com aquilo que o sistema esperava. Quando o vínculo com os pais se sobrepõe, ainda que por alguns segundos, à lógica do grupo, nem sua posição parece protegê-lo.
Josh acreditava pertencer ao poder. Talvez nunca tenha percebido que o poder não pertencia a ele.
E Liz fica.
Antes de sair, olha para uma fotografia na parede. Não é a primeira vez que a vemos diante daquela imagem. Nela está registrada a família que existia antes de tudo aquilo.
Agora resta a fotografia.
Não sabemos exatamente o significado do pequeno sorriso de Liz diante dela, e me parece melhor não tentar encerrá-lo numa única interpretação. Mas a escolha daquela imagem é difícil de ignorar.
O filme termina recorrendo a duas imagens do passado. The Lovers preserva a memória de Ellen e Paul como casal; a fotografia preserva a memória dos Taylor como família. E ambas aparecem justamente quando quase tudo foi perdido.
Há, porém, uma diferença entre elas que me parece especialmente significativa. Paul recorre ativamente à lembrança de The Lovers para alcançar Ellen e preservar, naquele momento extremo, alguma coisa do vínculo entre os dois. Liz apenas observa a fotografia. Uma imagem é recuperada por alguém que ainda tenta preservar um vínculo; a outra é contemplada quando aquele vínculo familiar praticamente já não existe.
Começamos o filme diante de uma família reunida e terminamos diante da fotografia daquela família. Cynthia está morta, Birdie está morta, Anna fugiu, Josh está sendo levado e Ellen e Paul saem da própria casa com as cabeças cobertas. Liz permanece olhando a imagem daquilo que existia antes de sua chegada.
A casa que estava cheia está vazia. A família que estava presente tornou-se fotografia. E a ideia que um dia cabia nas páginas de um trabalho universitário agora organiza o mundo do lado de fora daquela casa.
Talvez nenhuma explicação sobre pertencimento, radicalização, poder e perda dos vínculos seja tão eficiente quanto esse contraste.
Foi por isso que achei Aniversário: A Mudança um filme tão interessante para pensar o comportamento humano. Não acredito que seja necessário assisti-lo procurando descobrir qual personagem corresponde a determinada posição política do mundo real. Isso talvez até empobreça o que o filme oferece.
Há perguntas mais interessantes ali: por que precisamos tanto pertencer? O que um grupo pode oferecer a alguém que ainda não encontrou seu lugar? Em que momento uma convicção passa a participar tanto da nossa identidade que questioná-la parece significar questionar quem somos? Como pessoas comuns passam progressivamente a aceitar aquilo que antes talvez considerassem inaceitável? Existe um momento em que tentar permanecer fora de um conflito também passa a produzir consequências? E o que acontece quando uma ideia deixa de tentar convencer quem discorda e passa a exigir sua adesão?
Não existem respostas simples.
Mas existe uma imagem bastante simples no começo do filme: uma casa cheia de pessoas. Cinco anos depois, resta a fotografia daquela família na parede.
Entre uma imagem e outra aconteceu A Mudança.
Não apenas no país, mas também dentro daquela casa e dentro daquelas pessoas.
E talvez sobrem duas perguntas depois que os créditos terminam:
Quanto de mim estou disposto a entregar a um grupo para continuar pertencendo a ele?
E, talvez ainda mais importante:
quanto da liberdade do outro estou disposto a aceitar quando ele escolhe não pertencer ao meu?
Leia também
Se este tema fez sentido para você, estes artigos aprofundam outras maneiras pelas quais pertencimento, identidade, interpretação e relações podem influenciar a forma como enxergamos a nós mesmos e aos outros.
Estou cansado de pessoas: quando o convívio social se transforma em desgaste emocional
Quando conviver exige vigiar palavras, reações e até partes de quem somos, o desgaste pode ir muito além do simples cansaço social.
Ruídos emocionais na comunicação: por que nos sentimos atacados mesmo quando ninguém atacou?
Nem sempre reagimos apenas ao que foi dito. Experiências anteriores, inseguranças e medo de rejeição também podem interferir na maneira como interpretamos o outro.
Por que certas palavras machucam tanto?
Uma crítica pode deixar de parecer apenas uma opinião sobre algo que fazemos e começar a ser sentida como uma definição sobre quem somos.
Sobre o autor
Sou Dr. Luciano Cherubini, médico psiquiatra (CRM-SP 96061 | RQE 118809), com 30 anos de experiência no atendimento de crianças, adolescentes, adultos e idosos.
Ao longo da minha trajetória, acompanhei milhares de pessoas enfrentando ansiedade, depressão, síndrome do pânico, transtorno bipolar, TDAH, transtornos psicóticos, burnout, dependência química e diversos outros desafios relacionados à saúde mental.
Meu objetivo neste espaço é traduzir conhecimentos da psiquiatria para uma linguagem acessível, ajudando o leitor a compreender melhor os mecanismos da mente humana e incentivando a busca por avaliação e tratamento quando necessário.
Agendamento de consultas
Dr. Luciano Cherubini
Médico Psiquiatra
CRM-SP 96061 | RQE 118809
Polimed – Registro/SP
Av. Nelson Brihi Badur, 455 – Vila Nova Ribeira, Registro – SP
Consultas presenciais em Registro – SP (Vale do Ribeira)
Atendimento online para todo o Brasil
Agendar consulta pelo WhatsApp
O atendimento pelo WhatsApp é realizado pela clínica para informações e agendamento.