Por que dizemos “estou bem” quando não estamos? Entenda os efeitos da negação emocional e como recuperar autenticidade.

 

Comigo está tudo bem – Por que dizemos “estou bem” quando não estamos?


Uma reflexão sobre negação emocional, fachada social e o custo psicológico de fingir que está tudo bem

Pessoa dizendo que está bem enquanto esconde sofrimento emocional
Dizer “estou bem” pode ser um mecanismo automático de proteção — mesmo quando o mundo interno está em conflito.

"Estou bem".

Dizemos isso continuamente. É uma frase curta. Agradável. Firme. Ela nos permite passar para o próximo ponto da conversa sem nos determos muito em nós mesmos. Sem cutucar as feridas. Sem dar o recado.

O problema é que muitas vezes isso não é verdade. O problema é fingir que está tudo bem quando tudo está ruim.

Fingir que está tudo bem: uma regra social implícita

Quando dizemos que estamos bem, mas não estamos, negamos nossas emoções e experiências. Às vezes fazemos isso sem perceber, porque se tornou uma regra social implícita — uma convenção que nos ensina a manter uma atitude positiva, ainda que artificial.

Aprendemos desde cedo que a pergunta “como você está?” muitas vezes é apenas um gesto de cortesia. Acionamos então o “roteiro automático” que rege boa parte das interações sociais.

Em outros casos, fingimos que está tudo bem para evitar conflitos. Expressar sentimentos verdadeiros pode gerar desconforto, divergência ou discussões. Preferimos manter a conversa dentro dos canais convencionais.

Há também o medo de parecer “a pessoa difícil”, de sobrecarregar o outro com nossas dores. Assim, escondemos que não estamos bem para preservar a fluidez social.

E, muitas vezes, fingimos estar bem porque não estamos acostumados a reconhecer nossos próprios estados internos. Quando todos dizem estar bem, admitir o contrário pode gerar sensação de inadequação.

A fachada da força

Fingir que não temos conflitos é uma fachada. Uma imagem que projetamos para evitar julgamentos, constrangimentos ou exposição da vulnerabilidade.

Pessoas que cresceram em ambientes onde emoções eram reprimidas têm maior tendência a esconder tristeza, raiva ou medo. Em famílias onde emoções não tinham espaço, a negação se torna hábito.

A necessidade de nos convencer de que está tudo bem

Às vezes, a relutância em admitir que não estamos bem é uma tentativa de nos convencer disso. Negamos sentimentos porque parecem avassaladores. Ignoramos na esperança de que desapareçam.

Reconhecer problemas nos obriga a encará-los. E isso pode significar admitir que precisamos de ajuda, que não somos tão fortes quanto gostaríamos.

Um estudo da Universidade do Arizona mostrou que pessoas que fingem estar bem no ambiente de trabalho tendem a se sentir emocionalmente esgotadas e menos autênticas em seus relacionamentos.

Em situações graves — como luto recente — o “estou bem” pode ser um mecanismo de defesa temporário. A negação pode proteger até que estejamos prontos para lidar com a dor.

O desgaste de fingir

Psicólogos da Universidade Estadual de Michigan descobriram que quanto mais fingimos sorrir, pior tende a ser nosso humor ao final do dia. Irritabilidade, raiva e tristeza aumentam.

Fingir felicidade constante gera desgaste emocional significativo.

Reconhecendo que não estamos bem

Às vezes precisamos nos dar permissão para não sorrir. Para não agradar o tempo todo. Para não parecer perfeitos.

Permitir que não estejamos bem é um ato de honestidade interna. Expressar isso — com equilíbrio e responsabilidade — pode fortalecer vínculos.

Pessoa expressando vulnerabilidade emocional e buscando conexão
A vulnerabilidade consciente fortalece vínculos e reduz o peso da negação emocional.

Não se trata de despejar sofrimento nos outros, mas de reconhecer sentimentos com maturidade.

Curiosamente, quando alguém assume vulnerabilidade, cria um efeito cascata: os outros também se sentem autorizados a falar de suas próprias dores.

O hábito do “estou bem” pode ser quebrado quando começamos a validar nossas emoções. Isso retira um peso silencioso dos ombros e permite lidar melhor com os próprios conflitos.

Autenticidade como caminho de saúde mental

Ser autêntico não significa ser dramático. Significa ser coerente com o que se sente.

Reconhecer que não estamos bem é muitas vezes o primeiro passo para estar melhor.

Se você percebe que tem repetido “estou bem” como forma de evitar encarar emoções difíceis, talvez seja o momento de olhar para dentro com mais honestidade.

A autenticidade emocional não fragiliza — fortalece.

Se sentir que está difícil fazer isso sozinho, procurar apoio profissional pode ser um passo importante.

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