Invalidação emocional: por que não podemos ignorar o sofrimento invisível

 

Reflexão sobre empatia, invalidação emocional e o cuidado contínuo com a saúde mental

Ninguém escolhe adoecer emocionalmente - reflexão sobre saúde mental
A saúde mental não deve ser lembrada apenas em campanhas ou datas específicas.

Definitivamente não acaba aqui. É fundamental que se compreenda cada vez mais que cuidar da saúde mental não deve ser um evento atrelado a campanhas ou datas.

Obviamente as campanhas têm sua importância à medida que trazem conscientização e divulgação. O mês de setembro com a campanha Setembro Amarelo traz a mensagem de que você não precisa sofrer sozinho e que pode ser ajudado.

“Monstros são reais e fantasmas são reais também. Vivem dentro de nós e, às vezes, vencem.” — Stephen King

Inquestionável. As maiores batalhas não são televisionadas ou noticiadas nas variadas mídias. As grandes batalhas acontecem dentro da mente.

Geralmente estamos cientes de nosso próprio sofrimento, que inclui toda a gama de desconforto físico e mental, desde uma leve dor de cabeça ou ansiedade até a agonia de um adoecimento físico.

Mas ver o sofrimento nos outros não é tão comum.

Todas as notícias e imagens de desastres, assassinatos e tristezas que nos bombardeiam todos os dias podem, ironicamente, causar um entorpecimento das emoções.


Ser visto e compreendido

Muitas vezes, o que mais importa para outra pessoa é que alguém testemunhe seu sofrimento, que alguém realmente o entenda, sem julgamentos.

A sensação de ser compreendido representa uma das necessidades humanas mais básicas e essenciais.

A invalidação emocional é exatamente o oposto de ser visto e compreendido.

Se nossos sentimentos existem para nos dizer como estamos reagindo em relação ao mundo ao nosso redor, mas não confiamos em falar sobre nossos sentimentos, por medo do julgamento, como podemos saber o que pensar ou esperar? Como podemos sentir?

As pessoas que sofrem de doença mental não querem ficar doentes, nem pediram por sua doença. Não escolheram. É uma doença como a doença física, só que com uma apresentação diferente.

A doença física faz sentido, onde uma doença mental muitas vezes parece ilógica.

A doença física é palpável, objetiva. A doença mental é impalpável, subjetiva.

A doença física dói no corpo. A doença mental dói na alma.

Uma vez que isso possa ser entendido, estaremos um passo mais perto de ter paridade entre doença física e doença mental.

Muitas pessoas com doenças mentais graves são duplamente desafiadas. Lutam com os sintomas e deficiências resultantes da doença e, ao mesmo tempo, enfrentam estereótipos e preconceitos que surgem de equívocos sobre a doença mental.

Reflexão sobre invalidação emocional e empatia
Não invalide o adoecimento emocional. Você não conhece as batalhas internas do outro.

O iceberg emocional

Somos como icebergs, com sua pequena porção visível acima da água. A maior parte está abaixo da superfície, fora de vista.

É onde ocultamos nossas lutas, inseguranças, medos, vergonhas e sofrimentos.

Somos realmente capazes de olhar para alguém e saber que pensamentos ou dores guarda dentro de si? Ou olhamos apenas a superfície?

Observe e ouça as pessoas mais próximas a você. O que está doendo lá? Enfrente, mesmo que isso exija reconhecer que você pode ser parte da dor. Se for adequado, pergunte. Converse.

Não invalide o adoecimento emocional. Você não sabe quais lutas acontecem lá dentro.

Acredito que, se mais pessoas desenvolverem empatia e tolerância por aqueles que sofrem de doenças mentais, estaremos mais próximos de mudar essa mentalidade equivocada.

Mesmo não sentindo ansiedade ou tristeza evidentes, ao fazer um checkup mental e examinar sua vida, relacionamentos e sentimentos, você pode entender melhor a si mesmo e aos outros. Isso reduz frustrações e melhora a gestão emocional.

No final, você poderá levar uma vida mais satisfatória.

Pense a respeito.

Cuide-se.

Dr Luciano C. Junior
Médico Psiquiatra
CRM 96061
RQE 118809
Registro - SP - Vale do Ribeira


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