Reflexões clínicas sobre desesperança, fatores de risco e prevenção do suicídio
“Não vejo mais sentido em viver”
“Não vejo outra saída”
📢 Atenção! Esse é um tema que pode realmente lhe causar muito desconforto, é compreensível! Quero apenas que saiba que falar a respeito é fundamental e pode ser crucial para muitas pessoas que se sentem perdidas. Sinta-se à vontade para interromper aqui a leitura caso o desconforto seja muito grande. Mas se você sente a necessidade de obter um pouquinho mais de informações necessárias, siga adiante!
“Não é fácil, a gente acha que a única solução é a morte, porque os dias viram cinza, sem luz, sem vida. Só a gente que está passando pelo problema sabe, tem vontade de morrer, não tem expectativa mais em viver.”
Pode ser difícil imaginar o que leva alguém ao ato do suicídio. Pode não ter havido sinais claros de pensamentos suicidas e, se a pessoa era um amigo ou familiar, você pode se perguntar quais pistas pode ter perdido.
Se você já se perguntou "Por que as pessoas morrem por suicídio?", é importante saber que, muitas vezes, muitos fatores se combinam para levar uma pessoa à decisão de tirar a própria vida.
O sofrimento emocional para uma pessoa, independente das causas, pode ser tão intenso e devastador, que o sentimento de desesperança faz com que não consiga enxergar uma saída desse sofrimento e pense no suicídio.
A desesperança, seja a curto prazo ou como um traço duradouro, é considerada como um sentimento preponderante para a ideação suicida. E quanto maior o grau de desesperança da pessoa, maior a letalidade de sua tentativa de suicídio.
Quando as pessoas perdem toda a esperança e não se sentem capazes de mudar o que está causando o sofrimento, isso pode ofuscar todas as coisas boas em suas vidas, fazendo com que o suicídio pareça a única opção viável.
A pessoa pode estar enfrentando um desafio social ou físico e não enxergar como a situação pode melhorar. Embora possa parecer óbvio para um observador externo que as coisas vão melhorar, pessoas com sentimento de desesperança podem não conseguir reconhecer isso devido ao pessimismo e ao desespero que dominam os pensamentos.
Falar sobre suicídio aumenta o risco?
Não. Falar de suicídio não aumenta o risco de alguém tirar a própria vida ou “colocar ideias na cabeça”. Perguntar a alguém se está pensando em suicídio pode ser uma maneira que salva vidas, de apoiar e ajudá-lo a obter os cuidados de que precisa.
SUICÍDIO é uma palavra que normalmente deixa as pessoas desconfortáveis, embora todos os anos, mais de 700.000 pessoas tirem a própria vida (dados da OMS). No Brasil, o número chega a aproximadamente 14 mil casos por ano.
Embora nossa sociedade tenha feito alguns avanços em falar mais abertamente sobre saúde mental em geral, suicídio e ideação suicida permanecem altamente estigmatizados. Lutar contra esse tabu é fundamental para que a prevenção seja bem-sucedida.
Principais fatores de risco
• Tentativa prévia de suicídio.
• Doença mental não diagnosticada ou não tratada adequadamente.
Entre os transtornos mais associados estão depressão, transtorno bipolar, abuso de substâncias, transtornos de personalidade e esquizofrenia.
Outros fatores incluem abuso de álcool e drogas, dor crônica, isolamento social, perdas significativas, trauma interpessoal, crise financeira, desemprego e estresse extremo.
O suicídio pode ser evitado?
Se alguém está pensando em suicídio ou você percebe sinais de alerta, a intervenção precoce pode reduzir o risco.
Conheça os fatores de risco. Esteja presente. Ouça sem julgamento. Incentive a busca por ajuda profissional.
Em situações de risco imediato, ligue para o SAMU – 192.
O Centro de Valorização da Vida (CVV) atende 24 horas pelo telefone 188.
Como conversar sobre suicídio
Não tenha medo de perguntar diretamente sobre pensamentos suicidas.
Mostre empatia. Evite minimizar o sofrimento. Escute antes de tentar resolver.
Remover riscos imediatos e ampliar a rede de apoio são medidas fundamentais.
Lembre-se: qualquer tentativa, mesmo que pareça “chamar atenção”, é um grito de socorro.
Cuide de si e busque apoio
Se você está apoiando alguém em risco, também precisa de suporte emocional.
Profissionais de saúde mental estão preparados para ajudar a reduzir sofrimento e reorganizar padrões negativos.
Não banalize sinais de sofrimento emocional.
Cuide-se.
Dr Luciano C. Junior
Médico Psiquiatra
CRM 96061
RQE 118809
Registro - SP - Vale do Ribeira