Por que as pessoas não gostam de mim?
Entenda a dor da rejeição social, o medo de exclusão e como a baixa autoestima intensifica essa experiência.
Será realmente que as pessoas não gostam de mim?
Quem já experimentou a ansiedade de ser escolhido por último para o time na escola? Os mesmos sentimentos feridos surgem quando você é excluído do almoço com colegas de trabalho, não consegue o emprego para o qual foi entrevistado ou é dispensado por um parceiro romântico.
Do bullying na escola à rejeição romântica, à solidão dos idosos e à violência contra os outros, a exclusão social tem muitas faces. Mas enquanto algumas crianças e adultos conseguem superar a sensação desconfortável de serem deixados de fora, outros ficam deprimidos ou zangados.
A dor de ser excluído não é tão diferente da dor da lesão física. Estudos feitos com RMF (Ressonância Magnética Funcional) demonstraram em um teste — no qual a pessoa era estimulada ao sentimento de rejeição — aumento da atividade no cingulado anterior dorsal e na ínsula anterior, duas regiões cerebrais que também apresentam maior atividade em resposta à dor física.
A dor social e a dor física
A ligação entre dor física e social pode parecer surpreendente, mas faz sentido biológico. Em vez de criar um sistema inteiramente novo para responder a eventos socialmente dolorosos, a evolução simplesmente cooptou o sistema já existente da dor física.
Ser alvo de desprezo social causa uma cascata de consequências emocionais e cognitivas. A rejeição social aumenta a raiva, a ansiedade, a depressão, o ciúme e a tristeza. Reduz o desempenho em tarefas intelectuais difíceis e pode contribuir para a agressividade e o controle inadequado dos impulsos.
Fisicamente, também, a rejeição cobra seu preço. Pessoas que rotineiramente se sentem excluídas apresentam pior qualidade de sono e sistemas imunológicos menos eficientes.
Os seres humanos têm uma necessidade fundamental de pertencer. Assim como temos necessidades de comida e água, também temos necessidades de relacionamentos positivos e duradouros.
O medo profundo da rejeição
O medo da rejeição é um dos nossos medos humanos mais profundos. Biologicamente conectados com esse desejo de pertencer, tememos ser vistos de forma crítica. Estamos ansiosos com a perspectiva de sermos excluídos, humilhados ou isolados. Temos medo de ficar sozinhos. Tememos a mudança.
A profundidade e o sabor do medo variam para cada indivíduo, embora existam elementos comuns em jogo. Se estivermos dispostos a olhar, qual é a nossa experiência real de rejeição? Do que realmente temos medo?
Sendo humanos, desejamos ser aceitos e desejados. Dói ser rejeitado e experimentar a perda. Se nosso pior medo se materializar — se nossa fantasia catastrófica se tornar realidade e formos rejeitados — nosso organismo terá uma maneira de se curar se pudermos confiar em nosso processo natural de cura. Chama-se luto.
É fundamental perceber nossas autocríticas e tendência a afundar na vergonha de se sentir um fracasso. Nosso sofrimento é intensificado quando não apenas nos sentimos feridos ou tristes, mas também pensamos que algo está errado conosco por sentir isso.
Hipersensibilidade à rejeição
O medo da rejeição costuma ser causado pela baixa autoestima. Podemos sentir que não somos bons o suficiente para a outra pessoa.
Mas você tem que estar preparado e compreender que algumas oportunidades e situações vão dar certo e outras não — e tudo bem. Você não pode ganhar em todos os lugares. Quanto mais oportunidades você tiver, a mais rejeições poderá se sujeitar. É simplesmente um jogo de números. Sem experimentar críticas e rejeições na vida, seria impossível crescer ou melhorar a si mesmo.
Obviamente é necessário lembrar que há situações diferentes. Há rejeições ou exclusões reais, como em situações de bullying na escola, em situações românticas, solidão de idosos e ambientes profissionais. Mas há, também, as situações em que tudo está bem e, ainda assim, você pode manter um comportamento e busca desesperada no desejo de se sentir amado e querido por todos.
A hipersensibilidade à rejeição geralmente faz com que os indivíduos distorçam e interpretem mal as ações dos outros. Por exemplo, quando os amigos não respondem a uma mensagem de texto imediatamente, um indivíduo sensível à rejeição pode pensar: “Eles não querem mais ser meus amigos”.
Ou, por exemplo, se alguém com alta sensibilidade à rejeição convidasse 10 pessoas para um encontro e nove aceitassem e uma recusasse, ele se concentraria mais naquela rejeição. Pode até se referir a suas tentativas de namoro como um “desastre total” e começar a acreditar que ninguém gosta dele.
As duas razões principais do medo da rejeição
1. Achamos que ser rejeitado significa que não somos bons o suficiente. Vivemos em uma sociedade onde nos comparamos constantemente com os outros. Quando não estamos à altura, pode parecer um fracasso pessoal. É importante lembrar que todos são únicos e têm diferentes pontos fortes e fracos. Você não é menos valioso porque não é tão bom quanto alguém em alguma coisa.
2. Temos medo da dor de sermos rejeitados. A dor pode ferir nossa autoestima e nos fazer sentir indignos e desprezíveis. No entanto, é importante lembrar que a dor da rejeição é temporária. Pode parecer que vai durar para sempre, mas não vai. Nada dura para sempre.
Autoestima e busca de aprovação
O grave problema de ser hipersensível à rejeição é desenvolver um comportamento de busca incessante de aprovação e um desejo desenfreado por se sentir amado. Raspe a superfície dos buscadores de aprovação e você encontrará indivíduos lutando contra a baixa autoestima.
Eles não percebem seu valor, então buscam a afirmação dos outros. No entanto, qualquer conforto que ganhem não dura. Não importa quanto reconhecimento recebam, logo trabalharão para validação novamente.
Compreenda que, à medida que nos tornamos mais confiantes de que podemos estar com qualquer experiência que surja como resultado da conexão com as pessoas, podemos iniciar, aprofundar e desfrutar relacionamentos de uma forma mais relaxada e gratificante.
À medida que ficamos com menos medo do que estamos vivenciando interiormente — ou seja, menos medo de nós mesmos — ficamos menos intimidados pela rejeição e mais capacitados para amar e ser amados.
Exclua essa ideia de que você pode cobrar o amor, afeto e atenção de alguém, quando nem consegue estes sentimentos de ti mesmo a teu respeito. Primeiro volte seu olhar para dentro e busque o patamar de sua autoestima, que não está na pessoa de fora, a qual você busca incessante aprovação e amor.
Enquanto dependermos da aprovação dos outros, nossa felicidade será passageira.
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Dr Luciano Cherubini – Médico Psiquiatra
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