Neurotransmissão: uma orquestra biológica no cérebro humano
Como os neurotransmissores regulam emoções, comportamento e saúde mental
Você já ouviu o termo neurotransmissores? Vamos falar um pouco a respeito.
Imagine seu cérebro como uma grande orquestra, onde cada neurônio — e temos cerca de 86 bilhões deles — é um músico que toca uma sinfonia complexa e harmoniosa.
Nesse espetáculo biológico, os neurotransmissores são os maestros que regem a comunicação entre os neurônios. É essa comunicação que garante o funcionamento adequado do sistema nervoso e, consequentemente, da nossa saúde física e mental.
Os neurotransmissores são mensageiros químicos que transportam, aumentam ou equilibram sinais entre os neurônios (células nervosas) e as células alvo por todo o corpo. Essas células podem estar em glândulas, músculos ou em outros neurônios.
Bilhões de moléculas trabalham constantemente para manter o cérebro funcionando, regulando desde a respiração e os batimentos cardíacos até aprendizagem, concentração, medo, humor, prazer e alegria.
Alguns neurotransmissores mais conhecidos incluem:
- Serotonina
- Dopamina
- Glutamato
- GABA (ácido gama-aminobutírico)
- Epinefrina
- Norepinefrina
- Acetilcolina
- Endorfinas
Principais funções dos neurotransmissores
Os neurotransmissores desempenham papel crucial em diversas funções corporais e psíquicas:
- Regulação do humor e das emoções
- Controle dos movimentos musculares
- Processamento cognitivo e aprendizado
- Regulação do sono e do apetite
- Sensação de dor e prazer
- Modulação do sistema imunológico
- Controle da pressão arterial
- Regulação da temperatura corporal
- Manutenção da memória
- Controle da respiração
- Regulação do metabolismo energético
- Modulação do sistema endócrino
- Estimulação da secreção hormonal
- Mediação das respostas ao estresse
- Facilitação da digestão
- Regulação do comportamento sexual
- Modulação da percepção sensorial
- Coordenação de reflexos
- Participação na neuroplasticidade
- Inibição ou excitação neuronal
O que acontece quando há desequilíbrio de neurotransmissores?
Alterações nos níveis dessas substâncias podem comprometer o funcionamento do sistema nervoso e contribuir para diferentes condições de saúde.
Depressão
Relacionada a alterações em serotonina, dopamina e norepinefrina, podendo causar tristeza persistente, perda de interesse, alterações no sono e no apetite, e baixa energia.
Ansiedade
Desregulação de GABA, serotonina e dopamina pode gerar preocupação excessiva, agitação, tensão muscular e dificuldade de concentração.
Distúrbios do sono
Alterações em melatonina, serotonina e histamina afetam o ciclo do sono, levando à insônia ou sonolência excessiva.
Doença de Parkinson
Perda de neurônios produtores de dopamina, causando tremores, rigidez muscular e lentidão de movimentos.
Esquizofrenia
Possível envolvimento de dopamina, serotonina e glutamato, com sintomas como alucinações, delírios e pensamento desorganizado.
TDAH
Alterações em dopamina e norepinefrina associadas a desatenção, impulsividade e hiperatividade.
Transtorno Bipolar
Desregulações em serotonina, dopamina e norepinefrina podem estar relacionadas a episódios de mania e depressão.
Como os medicamentos agem?
Antidepressivos, antipsicóticos, benzodiazepínicos e outros psicofármacos atuam modulando neurotransmissores. Eles podem:
- Aumentar sua liberação
- Bloquear sua recaptação
- Imitar sua ação
- Reduzir sua atividade
O objetivo é restaurar o equilíbrio químico cerebral e reduzir sintomas clínicos.
Tudo é desequilíbrio químico?
Não. Emoções variam naturalmente ao longo do dia. Tristeza, medo e irritação fazem parte da experiência humana.
O que merece avaliação é a persistência dos sintomas, sua intensidade e o impacto funcional.
A avaliação do médico psiquiatra é fundamental para diagnóstico preciso e indicação adequada de tratamento.
Dr. Luciano Cherubini Junior
Médico Psiquiatra
RQE 118809
Registro – SP | Vale do Ribeira
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