Quando a forma como você se enxerga começa a limitar a sua vida
Ter baixa autoestima pode ser profundamente doloroso. É atravessar os dias com a sensação persistente de não ser suficiente, de não merecer amor, reconhecimento ou espaço.
A autoestima é, em essência, a forma como você se percebe e se valoriza. É o seu senso interno de dignidade e confiança. Ela influencia decisões, relacionamentos, limites, sonhos e até o modo como você interpreta elogios e críticas.
Quando a autoestima é saudável, a pessoa reconhece suas falhas sem se reduzir a elas. Quando é baixa, qualquer erro vira confirmação de incapacidade.
Por que a autoestima pode se tornar baixa?
Não existe uma única causa. A autoestima é construída ao longo da vida e pode ser impactada por múltiplos fatores:
- Experiências negativas na infância (críticas excessivas, negligência, abuso)
- Bullying ou rejeição social
- Pressões culturais e comparação constante
- Problemas de saúde física
- Traumas ou perdas significativas
- Depressão, ansiedade ou estresse crônico
- Relacionamentos abusivos
- Discriminação
A autoestima raramente “desaparece de repente”. Ela costuma ser minada aos poucos — como tijolos empilhados por críticas, comparações e experiências dolorosas.
Sinais de baixa autoestima
- Dificuldade em dizer “não”
- Medo constante de fracassar
- Conversa interna excessivamente crítica
- Dificuldade em aceitar elogios
- Hipossensibilidade a críticas
- Isolamento social
Muitas vezes, a pessoa passa a acreditar que merece menos — menos respeito, menos oportunidades, menos amor.
O corpo também pode falar
A baixa autoestima não é apenas emocional. Ela pode se manifestar fisicamente:
- Fadiga crônica
- Tensão muscular
- Dores de cabeça frequentes
- Problemas gastrointestinais
- Alterações no sono
- Mudanças no apetite
O estresse emocional constante mantém o organismo em estado de alerta.
Impactos na vida
Baixa autoestima pode levar a:
- Dificuldade em estabelecer limites
- Relacionamentos desequilibrados
- Baixa resiliência diante de desafios
- Maior risco de ansiedade e depressão
- Qualidade de vida reduzida
Existe uma frase marcante do filme “As vantagens de ser invisível”: “Aceitamos o amor que achamos merecer.”
Autoestima influencia diretamente os vínculos que toleramos.
Como começar a reconstruir
1. Observe sua conversa interna. Anote pensamentos automáticos. Identifique padrões. Questione evidências.
2. Desafie pensamentos intrusivos. Pergunte: isso é fato ou suposição?
3. Pratique autocuidado real. Sono, alimentação, movimento e expressão emocional.
4. Desenvolva habilidades ou hobbies. Aprender algo novo fortalece senso de competência.
5. Reduza comparações. Redes sociais mostram recortes editados da vida alheia.
6. Procure apoio profissional. Reconstruir a relação consigo mesmo é um processo. Não precisa ser solitário.
Dr. Luciano Cherubini Junior
Médico Psiquiatra – Saúde mental e comportamento humano