A síndrome da vida ocupada: quando a produtividade vira fuga
Quando não está tudo bem, você desacelera ou se mantém ocupado para não sentir?
E quando não está tudo bem? A vida ocupada de vazio.
Quando não está tudo bem, como você lida com isso? Onde procura as respostas? Você tenta se manter sempre fazendo algo para não pensar naquilo que não está bom?
A “Síndrome da Vida Ocupada” não é oficialmente reconhecida como um distúrbio, mas o ritmo frenético da vida atual exige que sejamos os melhores e isso é sinônimo de estarmos superestimulados, sobrecarregados, sempre ocupados com várias atividades e estímulos.
Estamos sempre em movimento, adicionando mais compromissos às nossas listas de tarefas. Vivemos nesta sociedade agitada e acelerada que está continuamente exigindo coisas novas de nós.
Além disso, vivemos em um mundo amplamente inconsciente que não estimula nossa autoconsciência. Na verdade, isso nos pressiona a permanecer o mais desconectados possível de nós mesmos.
O entorpecimento emocional
Cada indivíduo desenvolve maneiras particulares de entorpecer e amortecer a si mesmo e desconectar-se de emoções e experiências de vida desagradáveis. Na medida em que você se prende a estes mecanismos de defesa, você é impedido de experimentar sentimentos genuínos – o bom, o mau e o feio. Em graus variados, você passa pela vida em um estado entorpecido.
Ser produtivo libera endorfinas conhecidas como “hormônios da felicidade”, e essa experiência pode fazer você se sentir fortalecido e confiante enquanto cria um impulso positivo. Manter-se ocupado também pode ajudar a reprogramar sua mente, distraindo-se dos pensamentos negativos e substituindo-os por ações positivas ocupadas.
Entretanto, há uma linha tênue entre manter-se ocupado por causa da produtividade e evitar seus sentimentos. Este último pode ser prejudicial ao seu bem-estar, ao qual você deve ficar atento.
O comportamento evitado suprime seus sentimentos indesejados, resultando em um acúmulo de emoções que podem se manifestar em raiva, frustração, ressentimento, isolamento e muitos outros estados mentais prejudiciais. Internalizar suas emoções, na vã tentativa de suprimi-los, conduzirá por um caminho que afetará sua saúde mental e física.
Tememos a quietude?
Tememos a quietude? Tememos olhar para dentro? Tememos a própria companhia?
Tememos porque sabemos que, se desacelerarmos, aquelas emoções desconfortáveis que evitamos começarão a vir à tona. Sabemos que sentiremos dor, tristeza, raiva e ansiedade. Então nos movemos rápido e estamos constantemente em um modo de fazer para evitar a imobilidade.
O problema é que agir rápido não cura nada. Nossas emoções ainda estarão lá – e quanto mais as evitamos, mais fortes elas ficam.
Sinais de que você pode estar evitando seus sentimentos
- Sempre que você começa a ter sentimentos, você mergulha em algo para se manter ocupado.
- Ao interromper sua ocupação, seus sentimentos retornam imediatamente, deixando você triste ou sem esperança.
- Você só se “sente bem” se estiver fazendo algo. Ficar parado causa sensação de inutilidade.
- Você não tem lazer, hobby e nem pratica atividades físicas, afinal “gastar” tempo com isso é “perda de tempo”.
- Você se sente zangado, frustrado, mal-humorado ou ansioso.
- Você não tem mais tempo para cuidar de si mesmo ou desacelerar.
- Você se sente esgotado ou exausto por causa de sua rotina atribulada.
- Faz anos desde que você nunca tira alguns dias para descansar.
A consequência irônica da "sensação de estar ocupado" é que lidamos pior com nossas listas de tarefas do que se não estivéssemos tão apressados.
Quando a vida ocupada evolui para Burnout
Quando esse estado de hiperocupação se torna crônico, ele pode deixar de ser apenas um padrão comportamental e evoluir para algo mais estruturado: o Burnout.
O Burnout não é simplesmente “estar cansado”. Trata-se de um estado de esgotamento físico e emocional persistente, associado a sensação de ineficácia, distanciamento afetivo do trabalho e perda progressiva de sentido naquilo que antes parecia importante.
Na síndrome da vida ocupada, o indivíduo se mantém ativo para não sentir. No Burnout, ele já não consegue mais sustentar esse ritmo. O corpo começa a cobrar a conta: insônia, irritabilidade, dificuldade de concentração, queda de rendimento, sensação de vazio mesmo após conquistas.
Há um ponto em que produtividade deixa de ser realização e passa a ser mecanismo de sobrevivência psíquica. E quando a energia que alimentava essa engrenagem se esgota, surge o colapso.
Por isso, é fundamental diferenciar cansaço comum de exaustão estrutural. Cansaço melhora com descanso. Burnout não melhora apenas com um fim de semana livre.
Como reduzir a síndrome da vida ocupada
Limites
Sentir-se produtivo nos faz sentir bem, mas tome cuidado com esse sentimento, pois pode se transformar em um vício que afeta seriamente a saúde. Definir limites é importante, você não pode dizer “sim” para tudo.
Permitir-se não fazer nada
Não fazer nada é um dos remédios mais importantes que devemos cumprir. Marque em sua agenda um horário para simplesmente descansar.
Bom sono e nutrição
Crie um cronograma e defina horários para dormir e se alimentar. Desligue aparelhos eletrônicos antes de dormir e sinalize ao corpo que é hora de desacelerar.
Fazendo exercício físico
Qualquer atividade física traz benefícios à saúde emocional. A atividade física é um antídoto natural contra o estresse graças ao aumento de endorfinas.
Ansiedade controlada
A “doença da pressa” e a sensação permanente de urgência mantêm o sistema de alerta ativado. Nem tudo é urgente.
Desenvolva algum tipo de hobby
Atividades que ajudem a relaxar — passear na natureza, cuidar de plantas, escrever, pintar, meditar, respirar — podem parecer improdutivas, mas diminuem a ansiedade de forma natural.
Vídeo complementar
Lembre-se que habituar-se a demasiada agitação é como ter um desejo mórbido por pimenta e acabar por ser incapaz de lhe apreciar o sabor numa quantidade que sufocaria qualquer outra pessoa.
Seu valor não é baseado no trabalho que você tem, no curso que está fazendo, em como seu corpo está em forma ou em quantos idiomas você fala. Claro, todas essas são grandes conquistas, mas não são quem você é, quem você REALMENTE É!
As respostas estão dentro de você!
Acompanhamento psiquiátrico em Registro – Vale do Ribeira
Dr Luciano Cherubini – Médico Psiquiatra
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Atendimento presencial em Registro – SP e online.