O que pensamos e o medo que sentimos
O que pensamos determina como nos sentimos. Se pensamos de determinada maneira, tendemos a sentir de forma correspondente. Esses sentimentos podem estar relacionados a circunstâncias concretas ou podem ser profundamente enraizados, influenciando a forma como percebemos a nós mesmos, aos outros e ao mundo.
Como diz o ditado, “percepção é realidade”. Aquilo que a mente interpreta como verdadeiro passa a ser experimentado como real — mesmo quando não corresponde aos fatos objetivos.
Nem sempre é evidente a origem dos nossos sentimentos. Às vezes, o medo nasce de pensamentos automáticos pouco percebidos; em outras situações, surge de forma aparentemente súbita. Refletir sobre os pensamentos que antecedem a emoção pode ajudar a compreender sua origem.
É normal sentir medo o tempo todo?
Não. O medo é uma emoção natural e protetora, essencial para a sobrevivência. Ele nos prepara para reagir diante de perigos reais.
O problema surge quando o medo se torna constante, exagerado ou sem causa objetiva clara. Nesse caso, pode estar relacionado a transtornos de ansiedade, como:
- Transtorno de Ansiedade Generalizada
- Síndrome do Pânico
- Fobias
- Ansiedade persistente associada ao estresse crônico
Viver em estado de alerta permanente desgasta o corpo e a mente, prejudicando o sono, a concentração, o apetite e a qualidade de vida.
Como essa sensação costuma se manifestar?
- Sensação constante de perigo
- Reação exagerada a situações comuns
- Sensação de que “algo ruim vai acontecer”
- Pensamentos repetitivos de ameaça
- Sensação de estar sempre “ligado”
- Dificuldade para relaxar
- Medo sem motivo claro
- Hipervigilância
A intensidade pode variar de leve a intensa. Pode surgir em ondas ou permanecer como um pano de fundo constante. Muitas pessoas relatam piora à noite, quando estão em silêncio ou tentando dormir.
Por que a ansiedade pode causar medo constante?
1. Preocupação excessiva
A preocupação contínua leva a mente a imaginar cenários negativos repetidamente. Isso mantém o sistema de alerta ativado, criando a sensação de que o perigo é iminente, mesmo quando não é.
2. Estresse
O estresse ativa a resposta de “luta ou fuga”, liberando hormônios como adrenalina e cortisol. Isso provoca aumento da atividade do sistema nervoso, intensificação da percepção de ameaça e maior ativação da amígdala, área cerebral associada ao medo.
3. Hiperestimulação (estresse crônico)
Quando o estresse é frequente e prolongado, o corpo não consegue retornar ao equilíbrio. O sistema nervoso permanece em alerta contínuo, gerando sensação persistente de perigo.
Outros fatores que podem agravar a sensação de medo
- Uso de determinados medicamentos
- Drogas recreativas
- Excesso de estimulantes (cafeína, por exemplo)
- Privação de sono
- Alterações hormonais
- Deficiências nutricionais
- Quadros psicóticos com sintomas persecutórios
Como reduzir a sensação de medo constante?
O tratamento depende da causa. Pode envolver:
- Redução do estresse
- Regulação do sono
- Trabalho sobre padrões de preocupação
- Tratamento medicamentoso quando indicado
- Psicoterapia
Como existem múltiplos fatores possíveis, a avaliação com médico psiquiatra é fundamental para identificar a origem e definir o tratamento adequado.
Dr. Luciano Cherubini Junior
Médico Psiquiatra
CRM 96061 | RQE 118809
Registro – SP | Vale do Ribeira