Esquizofrenia – Esclarecendo mitos e combatendo preconceitos
Este é um texto educacional. Uma tentativa de esclarecer alguns mitos e fatos a respeito de uma doença que pode parecer bastante assustadora.
A esquizofrenia é uma doença mental grave e incapacitante que afeta cerca de 1% da população mundial. Pode envolver alucinações, pensamento desorganizado e crenças delirantes. Esses sintomas muitas vezes tornam o indivíduo assustado, retraído e com dificuldades em interagir.
Não vou aprofundar o texto explicando subtipos ou tratamentos neste momento. Quero abordar mitos comuns na tentativa de minimizar o medo de quem não compreende o assunto e combater o estigma que cerca não somente a esquizofrenia, mas todas as doenças mentais.
Mitos e Fatos sobre Esquizofrenia
Errado. Esquizofrenia não é transtorno dissociativo de identidade. São diagnósticos diferentes. O termo deriva do grego “Esquizo” (divisão) e “phrene” (mente), indicando divisão na percepção da realidade — não múltiplas personalidades.
Errado. A maioria não é violenta. São mais frequentemente vítimas do que autores de violência. Quando há agressividade, geralmente existe outro fator associado, como abuso de substâncias ou delírios persecutórios.
Errado. A esquizofrenia envolve fatores genéticos, ambientais e psicológicos. Pais não causam esquizofrenia.
Errado. Existe predisposição genética, mas não determinismo. A genética aumenta risco, não garante desenvolvimento da doença.
Fato: o componente genético é importante na predisposição.
Errado. Com tratamento adequado, muitas pessoas trabalham, estudam e levam vida funcional.
Errado. Cerca de 25% recuperam-se totalmente após o primeiro episódio. Outros evoluem com melhora significativa.
Errado. A doença pode afetar funções cognitivas específicas, mas não define inteligência.
Errado. Internações atuais são breves e indicadas apenas quando necessárias.
Errado. Com tratamento, muitos desenvolvem insight e aprendem a reconhecer sintomas.
Errado. Criatividade não depende de sofrimento mental. O equilíbrio favorece produção criativa.
Estudos mostram associação entre uso de cannabis e aumento do risco de psicose e esquizofrenia, especialmente em indivíduos predispostos.
Estima-se que cerca de 10% das pessoas com esquizofrenia morram por suicídio. A sobreposição com depressão aumenta esse risco.
Delírios persecutórios são frequentes. Convencer alguém delirante é extremamente difícil e pode gerar conflito.
Vídeo complementar
Espero ter contribuído para esclarecer mitos comuns e reduzir preconceitos.
Dr. Luciano Cherubini
Médico Psiquiatra